Guia definitivo de Acerto do Eclipse Turbo com Piggybacks
SAFC, AFC, VPC, MAFTranslator, etc...
Se
segue o guia para tunar seu eclipse com um piggyback. Ele começa com
técnicas básicas e prossegue para idéias moderadamente avançadas. O
procedimento abaixo será explicado se baseando no piggyback mais famoso
usado no eclipse o SAFC da Apexi porém esse guia pode ser usado com as
devidas adaptações para qualquer piggyback.
Passo 1: Preparando o carro e Inicializando o SAFC.
Antes de nós começarmos a explicar como se regula o carro com o SAFC você deve preparar o carro corretamente para o fazê-lo:
* Tenha certeza que todos os componentes do sistema de combustível estão em boas condições
* Tenha certeza que o carro não tenha nenhum vazamento, nem sob pressão nem sob vácuo.
*
Se você tem uma walbro 255 lph ou bomba de maior fluxo com o dosador
original ou compre um dosador com retorno maior ou não tente usar a
técnica dos trims de combustível mostrada abaixo.
Neste ponto eu
assumo que você instalou corretamente o SAFC, fazendo todas as conexões
da fiação corretamente. Se você não as fez existem todas as indicações
no www.vfaq.com.
Na seção Th-Point do SAFC ajuste o "gatilho" baixo para 30% e o gatilho "alto" para aproximadamente 80-85%
Na seção NePoint ajuste eles para: 1k, 2k, 3k, 4k, 4.5k, 5k, 6k, and 7k,.
Agora você quer regular a linha de base dos injetores, se você tem
os injetores originais deixe ambas tabelas em zero. Se você tem
injetores 550cc ponha as tabelas aproximadamente -10%. Com injetores
660cc -18% é um bom ponto de começo.
A próxima seção abordará trims de combustível e como setar a tabela de baixa abertura de borboleta.
Passo 2: Trims de combustível e Baixa abertura da borboleta
Antes de passar passar por este ponto você PRECISA ter algum tipo de logger / scanner.
Uma
vez inicializado o SAFC você deve começar regulando os pontos de baixa
da borboleta através dos trims de combustível. Isso irá requerer um
conhecimento básico de trims de combustível, então mostrarei abaixo:
A ECU (injeção) em essência é um grande conjunto de tabelas ( também conhecidas como "mapas de combustível" )
Ela
pega os dados do MAS (na forma de frequência Hz, temperatura e pressão
barométrica ) e calcula um valor final que representa a quantidade de
ar que está entrando no motor. Ela também tem a informação do giro do
motor, então com o giro e o fluxo em mente, a ECU vai olhar nas tabelas
de combustível e vai achar o quanto de combustível ela deve injetar no
motor.
É então que o sensor O2 (lambda) entra em ação. O sensor
mostra para a ECU como a mistura se parece: Se está rica, pobre ou está
estequiométrica. Se o sensor diz que a mistura está pobre então a ECU
vai adicionar um pouco mais de combustível em cima do que as tabelas
indicam até que os valores de O2 fiquem próximos a relação
estequiométrica. Se ela tiver que fazer isso por um certo período de
tempo, ela irá anotar isso em forma de trims de combustível.
Exemplo: Você está puxando 30Hz de ar a 800rpm (lenta). A ECU olha isso e decide injetar 2.1 ms de combustível.
Entretanto
o sensor O2 decide que isso não é o suficiente. A ECU então aumenta
para 2.2ms, 2.3ms e finalmente para 2.4ms, então finalmente o sensor O2
diz que está perfeito. Se isto fica ocorrendo por algum tempo a ECU irá
aumentar o Trim de combustível de longo termo. para 114%, pois 2.4ms é
14% a mais que 2.1ms. A partir daí ela irá adicionar 14% a mais de
combustível sempre que esse trim de combustível for usado.
1G:
Os 1g ( 1990 - 1994 ) tem 4 Trims de combustível. O trim baixo é para a
lenta e condições de baixo cruzeiro em baixo RPM. O trim médio é para
condições de cruzeiro entre 1500 - 2500 RPMs. E o trim alto é para
giros acima de 2500. O Trim de O2 está constantemente mudando com o
sensor O2 e é isso que irá causar as mudanças no Trim de longo
termo (alto).
A variação aproximada dos 3 trims são:
Baixo: 0-125 Hz
Médio: 100-175Hz
Alto: 175+ Hz
2G: Os 2G (1995-1999) tem apenas 2 trims: o longo (LTFT) e o
curto (STFT). O curto varias com o sensor O2 e o longo é usado para
toda gama de RPM. Como o curto afeta diretamente o longo, você pode
apenas somar ambos e regular o carro a partir daí. Por exemplo,
se o trim longo é de +20% e o curto é de -5% você está aproximadamente
a +15%.
Agora o ajuste: Regule o logger para mostrar o RPM, Fluxo de ar e todos os Trims de combustível que seu carro tem.
Ligue
o carro e deixe ele esquentar completamente. Deixe ele na lenta e nós
iremos começar a regular a tabela de baixa abertura de borboleta no
SAFC.
Olhe
para o trim baixo (os 2Gs tem apenas o longo - LTFT ). Se é positivo,
adicione uns poucos por cento em 1000 rpm. Esta não é uma verdade
absoluta, porém na maioria das vezes para cada 3-5% no logger /
scanner, você precisa 1% no SAFC. Após adicionar ou subtrair uns poucos
por cento deixei o carro na lenta por alguns minutos observe as
mudanças nos trims de combustível. As mudanças podem demorar um pouco
para ocorrerem, especialmente no 1G, então tenha calma.
Quando o
passo acima estiver completado, acelere com o carro parado o motor até
1500rpm e segure nessa rotação. Faça a mesma coisa que no passo
anterior, provavelmente você ainda estará no trim baixo.
Continue
fazendo isso a 2000rpm e 3000rpm. Após fazer isso e estar confiante que
os trims estão perto de zero, dê uma volta com o carro e veja se os
trims mudam. Tente fazer com que os trims fiquem o mais perto possível
do objetivo, uma tolerância de 10% é aceitável. Nos 1g o trim perfeito
é 100% enquanto nos 2G é 0%. Isto significa que em um 2G se o trim é
negativo, você deve empobrecer a mistura um pouco e se for positivo
você deve enriquecer de leve a mistura.
Uma vez que você está
com os trims perto do objetivo e eles ficaram dentro da margem com o
carro em movimento você pode usar os números até 7000 rpm. Ou seja se
você tem no SAFC +5% a 3K e 4Krpm use +5% a 4,5K, 5K 6K e a 7K.
Então você irá querer usar também +5% na sua tabela de abertura de
borboleta alta. Use em todos os pontos, até nós começarmos a regular a
tabela de abertura alta.
Passo 3: Borboleta - Abertura Alta
A este
ponto eu irei assumir que você nivelou os trims perto de 100% (0% nos
2G) e que eles ficaram assim após usar o carro durante vários dias.
Também é assumido que você usou a mesma correção da tabela baixa em
toda a tabela alta.
Além disso tenha certeza que você não tenha
o problema de detonação falsas (phanton knock) e que seu ponto base é
de 5 graus (no 1g)
Agora é a hora realmente "tunar" o carro.
Primeiro,
ajuste o logger. Você quer ter certeza que o logger irá logar RPM,
knock (se você puder), avanço do ponto de ignição e não muito mais que
isso.
Agora vá dar uma acelerada. É melhor que você acelere uma
terceira (ou quarta) marcha, mas se você realmente precisa fazer uma
segunda talvez seja aceitável para o começo. Tenha certeza que você
está com o pé no fundo (WOT) dos 3k até quase nos 7Krpm. Além disso
tenha certeza de que você esteja com o booster setado na pressão que
você deseja usar.
Agora salve o log e o analise. Olhe para a porção perto dos 3Krpm
nas linhas de knock e ponto. Agora você vai ter que decidir se a
3000rpm você está rico, pobre ou com a mistura certa. Se você estiver
muito rico, seus valores de O2 irão provavelmente estar bastante altos
(acima de 1V nos 2G e acima de 0.95V no 1G aproximadamente), você não
terá knock e terá um avanço decente de ponto. Se você está muito pobre
então você terá menos avanço de ponto e knock.
No 1G você regula o carro para não ter knock, fim da história.
No
2G, você regula o carro para ter avanço de ponto. Você quer que o
gráfico de avanço do ponto (timing) fique entre 15-16 graus e que seja
suave, sem depressões bruscas.
Com essas informações anteriores
decida se no ponto de 3000rpm você esteja rico, pobre ou com a mistura
certa. Adicione ou remova alguns pontos porcentuais de correção
dependendo dos seus achados. Altere apenas uns poucos pontos por vez.
Vá para o ponto de 4000rpm e faça a mesma coisa, acompanhando pelo
logger. Faça isso até 7000rpm e então dê uma nova acelerada logando os
dados para ver os efeitos das suas mudanças. Isto irá se tornando mais
fácil enquanto você ganha experiência porém não é tão difícil assim.
Avanço de ponto vs. Fluxo de Ar
Assim como a ECU tem tabelas de quanto ela precisa injetar de
combustível ela também tem tabelas de quanto avanço de ponto ela deve
aplicar e de quanto avanço dependendo do knock.
Para contagens
de knock de 0 a 3 a ECU vai avançar o ponto de ignição. Para contagens
de 4 a 7 a ECU irá deixar o avanço onde ele está e em contagens acima
de 7 irão resultar na ECU atrasando o avanço de ponto para tentar
controlar a detonação (knock). O pessoal dos 2G não conseguem acessar a
contagem de knock com um logger porém ela está lá e você terá que
adivinhar essa contagem pelo comportamento da linha de avanço de ponto.
As
tabelas de ponto na ECU, assim como as de combustível estão indexadas
por fluxo de ar e rpm. A regulagem da mistura por um piggyback trás um efeito colateral.
O funcionamento dos piggybacks se baseiam na interceptação do sinal do
MAS e na sua modificação. Assim esses dispositivos podem mudar o quanto
de fluxo de ar a ECU "enxerga". Se você fez uma correção positiva então
a ECU irá ver mais fluxo que o MAS está apontando e isso pode alterar o
timing (avanço de ponto de ignição). O problema disso é que níveis mais
altos de fluxo de ar (vistos pela ECU) ganham menos avanço por razões
de segurança enquanto níveis mais baixos de fluxo de ar irão ter um
avanço maior.
Assim fazendo correções negativas (empobrecendo) a
mistura (com injetores grandes, mais pressão de combustível,
combustível de alta octanagem) você diminui o fluxo de ar que a ECU
"enxerga" e assim você terá um pouco de avanço de ponto pela ECU, o que
resulta em mais potência. Se assume que você não tem knock
e sempre mantenha em mente que mais avanço leva a um motor mais
propenso a ter knock.
O pessoal do 1G com bicos 660cc/min
consegue avanços acima de 28 graus em WOT, isso se deve ao fato de eles
terem que usar grandes correções negativas com o SAFC para compensar os
injetores com os 47% de fluxo a mais.
Fuel Cut ( Cortes na Alimentação )
Outro problema envolvendo o quanto a ECU "enxerga" de fluxo de ar e quanto se corrige com o piggyback é o famoso "fuel cut".
Para
aqueles que não sabem a ECU tem um programa que diz para se cortar o
combustível quando o fluxo de ar exceder a certo valor. Agora este
valor é aquele valor calculado pela ECU e não apenas o sinal de
frequência (Hz) que o MAS aponta o que significa que a temperatura e a
pressão atmosférica irão afetar também o "fuel cut".
Se você instalar digamos injetores de 550cc/min, você poderá fazer
uma correção negativa com o SAFC de 10%, talvez um pouco mais. Isto
significa que a ECU irá ver aproximadamente 10% a menos de fluxo de ar
se comparado ao sistema original o que faz diminuir a probabilidade de
"fuel cut".
A instalação de injetores maiores e a correção via
piggyback apesar de evitar o fuel cut não elimina o problema, muitas
vezes as preparações vão progredindo e novos níveis de fluxo de ar vão
sendo alcançados e então novamente o "fuel cut" volta a ser uma
barreira.
Apenas a remoção desse programa, através de chip / dsmlink
ou ainda da troca da ECU por uma programável é que realmente elimina o
problema.
Conclusão
Quanto maior forem os bicos
escolhidos, mais correção terão de ser feitas e mais avanço você terá
devido a essa correção. Lembrando para se ter uma lenta aceitável o
limite de fluxo de injetores usados em conjunto com piggybacks é de
720cc/min para a gasolina. Se a sua preparação está sendo limitada por
fuel cut ou por a necessidade de injetores maiores que os indicados,
talvez seja a hora de partir para um sistema melhor que os piggybacks:
o dsmlink.